Escleroterapia por espuma densa ecoguiada - uma alternativa à cirurgia de varizes e uma ferramenta poderosa para tratar casos complexos 

Fevereiro 2016 - Revisado em Maio 2021

 

A escleroterapia ou aplicação de espuma com auxílio do ultrassom é um procedimento já realizado há bastante tempo, especialmente em alguns países europeus, que ganhou bastante popularidade no Brasil nos últimos anos. Ele consiste na injeção dentro da veia de uma substância, geralmente o Polidocanol, misturado com ar ambiente ou gás carbônico. Essa mistura é realizada através de um torneirinha de 3 vias, onde o conteúdo de 2 seringas, uma com Polidocanol e outra com ar, são vigorosamente transferidos de uma seringa para a outra, formando bolhas.

 

O objetivo dessas bolhas é deslocar o sangue do interior do vaso a ser tratado temporariamente, promovendo maior contato da substância com a parede da veia e gerando uma inflamação intensa. Primeiramente, a inflamação leva à trombose do vaso superficial, com o acúmulo de coágulos no seu interior e, conseqüentemente, à interrupção do fluxo naquele segmento. Esse processo evolui dentro de alguns dias a semanas e conduz a 4 tipos de resultados finais principais:

a) a fibrose da veia, com interrupção completa do fluxo e fechamento total da sua luz, com pouca probabilidade de recanalização, ou seja, de falhas futuras.

b) a trombose sem fluxo na veia, com organização do trombo porém sem que haja sua reabsorção. Nesses casos, o segmneto encontra-se tratado, mas já aumentam as chances de recanalização no futuro.

c) a trombose com fluxo na veia, em que o trombo foi absorvido parcialmente e permite ainda alguma passagem de sangue no interior do vaso. Se ainda houver refluxo pode ser necessário uma nova aplicação.

d) a recanalização completa da veia, retornando ao problema inicial e necessitando de novo tratamento.

 

As taxas de sucesso imediato do procedimento são bastante elevadas porém ainda há níveis altos de recanalização posteriormente. Por isso faz-se necessário um acompanhamento ultrassonográfico rigoroso no pós-espuma.

 

Uma grande vantagem da espuma é o menor custo do procedimento em comparação com a cirurgia e com as técnicas de termoablação, o que permite maior acesso da população ao tratamento. Outra vantagem é a disponibilidade rápida para realização do procedimento, sem necessidade de aguardar pela realização de cirurgia.

 

A preocupação estética com a utilização da espuma também é elevada, uma vez que o surgimento de manchas é mais freqüente, especialmente quando utilizada em veias calibrosas e superficiais. Por isso, a indicação principal da escleroterapia por espuma é em pacientes com doença venosa avançada, já com manchas em tornozelos ou úlceras nas pernas, ou em pacientes com dificuldade de acesso ou contra-indicação à cirurgia.

 

Uma outra utilização importante da espuma é em paciente já tratados por múltiplas cirurgias e com recidiva de trajetos varicosos especialmente mais profundos e tortuosos. Esses casos são bastante complexos e às vezes não permitem que as varizes e as fontes de refluxo que geram o quadro de insuficiência venosa sejam tratados novamente com a cirurgia. A espuma pode ser aplicada nesses segmentos e preencher esses vasos de difícil acesso com bons resultados.