Cirurgia para varizes com uso de Laser ou Radiofreqüência Endovenosa
(EVLT ou EVRF)

Fevereiro 2016 - Revisado em Maio 2021

 

Há alguns anos, uma novidade inspirada nos métodos cirúrgicos endovasculares modificou completamente a forma de planejarmos o tratamento de varizes. A utilização de técnicas de cateterismo na cirurgia venosa e a popularização dos métodos de intervenção guiados por ultrassom permitiram que fosse criado um procedimento, inicialmente pensado para o tratamento das safenas, realizado de forma minimamente invasiva pelo interior da veia tratada, sem necessidade de retirá-la. O objetivo desse tratamento é fechar a veia tratada, ou seja, impedir o fluxo nessa veia anteriormente danificada, através da ablação térmica (queimadura) do interior do vaso. A lesão térmica é causada pela conversão da energia luminosa do Laser ou da vibração da Radiofreqüência em calor. Dessa forma, há uma destruição da parede da veia com conseqüente interrupção do fluxo.

 

As técnicas termoablativas são indicadas principalmente no tratamento de segmentos longos de veias com refluxo, em especial nas safenas magnas, parvas e acessórias. Podem ser utilizadas também no tratamento de perfurantes e em varizes mais calibrosas. A punção dessas veias é geralmente feita com o auxílio do ultrassom com doppler, que também é utilizado para guiar todo o procedimento, especialmente para verificar a posição do cateter de radiofreqüência ou fibra de laser no interior das veias, evitando que segmentos do sistema profundo sejam afetados pelo dano térmico.

 

Há algumas diferenças técnicas entre o laser endovenoso e a radiofreqüencia. O Laser pode ser realizado com diferentes comprimentos de onda, dependendo da escolha do cirurgião. Os mais utilizados atualmente são os de 1470 nm e 980 nm. Há diâmetros de fibras e tipos de pontas variados, com aplicações diferentes dependendo do diâmetro da veia a ser tratada. Além disso, a quantidade de energia liberada durante o procedimento é determinada pelo médico, através de cálculos que envolvem parâmetros do aparelho e características da veia. Já a radiofreqüência é mais reprodutível e menos variável, pois o parâmetro de energia é determinado automaticamente pelo aparelho gerador. Porém, como o cateter de radiofreqüência é mais calibroso, algumas veias menos calibrosas não podem ser tratadas.

 

Os resultados da termoablação são, na maioria dos estudos, superiores aos da cirurgia convencional de safenectomia e aos da aplicação de espuma densa. As taxas de fechamento da veia tratada em 2 anos são bastante elevadas, com poucas chances de recorrência. O pós operatório é extremamente bem tolerado, com poucas queixas de dor local ou outras complicações.